sábado, abril 24, 2010

quarta-feira, abril 21, 2010

sa calhar....

Toda mulher é doida. Impossível não ser. A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem amor, a vida não vale a pena ser vivida, e dai usar nosso poder de sedução para encontrar “the big one”, aquele que será inteligente, másculo, se importará com nossos sentimentos e não nos deixará na mão jamais. Uma tarefa que da para ocupar uma vida, não é mesmo? Mas além disso temos que ser independentes, bonitas, ter filhos e fingir de vez em quando que somos santas, ajuizadas, responsáveis, e que nunca, mas nunca, pensaremos em jogar tudo pro alto e embarcar num navio-pirata comandado pelo Johnny Deep, ou então virar uma cafetina, sei lá, diga aí uma fantasia secreta, sua imaginação deve ser melhor que a minha. Eu só conheço mulher louca! Pense em qualquer uma que você conhece e me diga se ela não tem uma dessas qualificações: exagerada, dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante. Pois então. Também é louca. E fascina a todos. Todas as mulheres estão dispostas a abrir a janela, não importa a idade que tenham. Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota

Martha Medeiros

quinta-feira, abril 01, 2010

volto a dizer, nunca acreditem numa pessoa que cresceu a dançar Boney M. em frente ao espelho

Só que o Lou Reed trocou a ordem das coisas (volto a dizer, nunca acreditem numa pessoa que cresceu a dançar Boney M. em frente ao espelho), porque no meu modesto entender só pode haver magia quando há perda, e todos nós podíamos encher uma arca de tesouros com as coisas que fomos perdendo ao longo dos anos, desde berlindes rascas a melhores amigos ou amigas. Quem não consegue fazer isso é porque nunca deu nada de verdade. Perder é sempre doloroso, não por aquilo que se perde mas pelo valor atribuído à perda – e não vale a pena fazer comparações e juízos sobranceiros porque da nossa vida sabemos nós, ok? Ok. Uma vez perdi, ou julguei que tinha perdido, um porta-moedas em malha de prata, daqueles que se usavam antigamente; pus um anúncio no supermercado a dizer “gratifica-se” e chorei por tudo o que tinha perdido a vida inteira durante uma semana a fio, até que descobri o dito cujo na gaveta do frigorífico, dentro de um saco de plástico cheio de feijão verde para fazer sopa. Logo a seguir senti-me a pessoa mais feliz e sortuda do mundo, nem vos digo em que é que acreditei na semana seguinte. Mas estão a ver como são as coisas. Numa destas noites perdi um brinco enquanto pulava desvairadamente no Music Box e voltei a sentir-me miserável até à hora em que as senhoras da limpeza me atenderam ao telefone com uma simpatia notável e disseram “sim, achámos um brinco assim e assado, é seu?”. É meu, é (sorriso de orelha a orelha). E nesse mesmo dia fui buscá-lo ao Cais do Sodré, eu de ressaca e o brinco intacto, e então voltei a sentir-me a pessoa mais feliz e sortuda do mundo. O que eu quero dizer é isto: umas vezes vale a pena correr atrás do que perdemos, outras vezes não. Distingue-se facilmente uma coisa da outra pela força que vem de dentro, isso que nos faz levantar da cama sem a preocupação de reunir todas as partes – cabeça, coração e ossos, principalmente. E o fígado, que também dá muito jeito para saco de pancadas. Quando não vale a pena correr atrás do que perdemos, é preciso acreditar que depois da perda vem a magia. Sempre, sempre, sempre. Depois da perda vem a magia. Só é preciso arriscar perder.

Mas há a vida

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Mas há a vida

que é para ser

intensamente vivida,

há o amor.

Que tem que ser vivido

até a última gota.

Sem nenhum medo.

Não mata
 
Clarice Lispector

Só por dentro de ti

a noite escuta

o que sem voz

me sai do coração.



David Mourão-Ferreira


Sim,,,,


tudo mudou....


eu agora


sou OUTRA!






E todos os dias vos digo


"te amo"






que bom....